O rotativo do cartão de crédito chegou a 428% ao ano em março de 2026, segundo dados do Banco Central — mesmo com uma lei em vigor limitando os juros. Se você está preso nessa dívida, o primeiro passo é entender como ela funciona e o que mudou recentemente a seu favor.
Por que o rotativo é tão perigoso
O rotativo é ativado automaticamente quando você paga só o valor mínimo da fatura (ou menos que o total). O saldo que fica em aberto passa a render juros — e esses juros estão entre os mais altos do mercado financeiro brasileiro, historicamente acima de 400% ao ano. Em poucos meses, uma dívida pequena pode dobrar de tamanho.
O que mudou: a Lei 14.690
Desde 2024, uma lei específica limita esse abuso: a soma de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não pode ultrapassar 100% do valor original da dívida. Na prática, se você deve R$ 1.000, o banco não pode cobrar mais que R$ 1.000 em juros — sua dívida não pode mais que dobrar, por mais tempo que leve para pagar.
Outra proteção importante: o rotativo só pode durar um mês. Se você não quitar a fatura integralmente no mês seguinte, o banco é obrigado a parcelar o saldo — não pode deixar a dívida rolando no rotativo indefinidamente, que é justamente onde mora o juro mais alto (o parcelamento, mesmo caro, gira em torno de 200% ao ano, bem menos que os quase 430% do rotativo puro).
Passo a passo para sair da dívida
1. Pare de usar o cartão que está no rotativo. Parece óbvio, mas é o passo mais esquecido. Cada compra nova nesse cartão só aumenta o problema.
2. Ligue para o banco e negocie. Bancos costumam ter linhas específicas de renegociação, muitas vezes com desconto para pagamento à vista ou parcelamento em condições melhores que o rotativo. Ligar custa nada, e o desconto oferecido de cara costuma ser maior do que parece.
3. Se tiver mais de uma dívida, ataque a mais cara primeiro. Entre cartão, cheque especial e empréstimo pessoal, o cartão costuma ser o mais caro. Concentre o pagamento extra nele enquanto paga o mínimo dos outros.
4. Avalie trocar dívida cara por dívida mais barata. Um empréstimo pessoal ou consignado (se você tiver acesso) costuma ter juros bem menores que o rotativo do cartão. Trocar uma dívida de 400% ao ano por uma de 30-40% ao ano é uma melhora real — mas só faça isso se tiver certeza de que vai conseguir pagar as novas parcelas, para não criar uma dívida em cima da outra.
5. Depois de quitar, monte uma reserva de emergência. A maior parte das dívidas de cartão nasce de um imprevisto sem dinheiro guardado para cobrir. Ter uma reserva, mesmo pequena, quebra esse ciclo. Veja como montar a sua no nosso guia de reserva de emergência.
O que evitar
Não pegue “empréstimo para pagar empréstimo” sem comparar as taxas com calma, e desconfie de ofertas de crédito muito fáceis quando você já está endividado — normalmente vêm com juros embutidos ainda mais altos. Negociar diretamente com quem você já deve costuma ser mais barato do que buscar uma dívida nova para cobrir a antiga.